sábado, 27 de outubro de 2012

Excitação Psicopata



Pego na arma, contando até 3, movimento-a lentamente...
Medo? Ridículo! Como se altera-se o destino. 


Pressinto os seus corações violentos, através dos olhares gelados a furarem-lhes as almas.
inúteis. Sinto o coração a bombear-me adrenalina pelo corpo, através das veias venenosas. Cheiro sangue... desejo saboreá-lo profundamente, necessito ! Excita-me brutalmente !

Três passos até às janelas salvadoras... fecho-as.

Uns passos atrás até à porta húmida, retiro-a liberdade.
Volto a levantar a arma, apontado-a enquanto refugiam-se no chão. Não ! Não!
Necessito de sentir auxílio vago, necessito de dor... Exigo submissão inútil !


Ah... assim excita-me. Saboreio veneno, admiro um a um, refletindo cruelmente... Doido? Mas sabe-me tão bem!
Sinto as gotas do poder mergulhando às minhas mãos, desesperadamente.


Conto... 1.... 2...



Suspiro Perpétuo


  Olhos nos olhos, em tempos infinitos, fico...  perdido e só?
  Tenho que lutar contra a dor de um coração partido? Porquê? Porquê me deixou?

A começar um dia novo.... de novo. Tenho que pegar nos pedaços e juntá-los novamente, centímetro a centímetro . Recomeçar a melodia, ao som profundo, encontrar liberdade. Não me sinto em casa, na minha própria casa... tento encontrar o que me deste, o que me disseste, o que me transmitiste. Grito para ser ouvido. Caminho solitário nesta caminhada, cantando as notas da melodia que começaste e que irei terminar.

Fechas os olhos lentamente. Não ! Desejo que esta noite não terminasse, desejo que... nunca fechássemos os olhos para que pudesses... pudéssemos ver o amanhã. Vamos manter-nos acordados até crescer?


Suspiras... Suspiras...

Um último Suspiro Perpétuo. 



sábado, 20 de outubro de 2012

Chamas


   
   Momento a momento, percorro cada espaço vago, em busca de salvação. Grito por auxílio, por resposta. Sinto-me sufocado  de mãos e pés atados por ignorância medieval, de coração preso por crueldade gelada. 

       O fumo paira suavemente no ar, de cor tão obscura, as chamas misteriosas aproximam-se... ocupando a minha liberdade, retirando-ma forçadamente.

   Olho a meu redor... vejo arrependimento mas esperança, cheiro dor mas perdão, sinto toque traído mas leal.



  Tento-me libertar mas os meus pensamentos incertos não me permitem, arrastam-me obstáculos pelos quais não tenho força. 

  As chamas violam-me, a dor percorre-me pelas veias, a tentação afoga-me brutalmente.


Por fim, liberto-me... mas porquê fugir?  Pelo qual lutar? 
Duvido se ...

serão as chamas que me assassinam o corpo?

ou abusam do meu coração?   


Um Passo

  
   Caminho sobre a calçada dura e gelada, sentido o vento e a luz solar percorrendo-me a face, pensando...

Que fazer? Como agir? Farei a diferença? Não duvido dos outros, mas sim de mim mesmo. Não sei o que sou, como sou, para onde vou? Sei de onde venho, apenas não que caminho seguir. 

    E se...Escolher o errado? Voltarei atrás? 
  E se for o certo? Serei feliz?  Enfrentarei as consequências da minha escolha? 
    E se nem eu mesmo me preocupar Os outros o farão? Ou o meu lugar será cruelmente preenchido?

Pensamentos tão diferentes, mas tão decisivos num mero momento. 

    O Sol já se escondia como a minha coragem, o vento mudava de rumo como a minha vontade, a calçada já se esgotava como a minha força.  Decidi... Caminhei até ao fim, parei, olhei para as ondas, estavam tão unidas mas simultaneamente tão agitadas. Serei assim? Olhei para baixo e vejo-as a terminarem nas rochas tenebrosas. Será o seu destino ou escolheram-no? Será o meu? Voltei a olhar, fechei suavemente os olhos, deixei o ar penetrar-me o corpo, abri os braços e... escolhi dar um passo, um passo para uma nova vida, um passo para um destino, um passo para uma vontade, um passo para uma mudança...      

Não, não eram as rochas.