segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Perdendo-me, entre estrelas

Às vezes é difícil seguir os nossos sonhos.
Às vezes é doloroso ser quem somos.

Há uns anos, disseram-me  que devia ser cauteloso em confiar.
Eu fui.

Há uns anos, disseram-me que devia ser forte.
Eu fui.

Deitado sobre os telhados, desenhei uma linha no céu, separando os sonhos das promessas perdidas.
Se soubesse o que sei hoje, gritaria para as estrelas o porquê de ser impossível.

Pensava que tinha tudo, sem saber o que poderia perder.
Rasgando as roupas do meu corpo, sem conseguir dormir, tento manter-me equilibrado.
As lágrimas significam que estou a perder?

Amei-te tão facilmente, mas parece que não o suficiente.
Devia de ter segurado a aliança ao agarrar-te as mãos.
Não verei a tua cara brilhar novamente?

Abandono, deixando cicatrizes. Não consigo aproximar-me.
Só me resta o arrependimento.

Sinto o gelo a penetrar-me dos olhos à alma, perdi-a.
Só me resta o corpo.

Perdendo-me, entre estrelas, abri os olhos.
Foi só um sonho?


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Espelho

Olha-te ao espelho.
Como te sentes?
Iludido, sem fé, frágil, inútil, gelado, desconhecido, sem vida, traído, feio... A Morrer.

Olha-te ao espelho.
Quem está contra ti?
O Mundo... Eu mesmo.

Olha-te ao espelho.
Quais os teus objetivos?
Nenhum.

Olha-te ao espelho.
Estás perdido?
Não sei que caminho seguir, tenho estado preso a esta rotina.

Olha-te ao espelho.
És feliz?
O que se consegue esconder por detrás de um sorriso.

Olha-te ao espelho.
Tens Medo?
Gostaria de não ter.

Olha-te ao espelho.
Sentes-te bem contigo mesmo?
Só quero sentir-me bonito hoje.

Olha-te ao espelho.
Acreditas em ti?
Preciso de mudar, em vez de ser fraco.

Olha-te ao espelho.
Como te sentes?
Alguém que veio para conquistar, para sobreviver.

O que pensas do espelho?
Ele pode mentir, não me mostra o que sou por dentro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Voltei para morrer onde nasci

Voz fraca e silenciosa, vou morrer onde nasci, suplicando pelo seu orgulho.

Olhar frágil e sem esperança, vou morrer onde nasci, rezando pelo seu perdão.

Respiração perdida, vou morrer onde nasci, chorando pela sua resposta.

Gesto medroso, vou morrer onde nasci, procurando pelo seu abraço.

Toque sofrido, vou morrer onde nasci, ficando pela sua escolha.

Sonho iludido, vou morrer onde nasci, aguardando pelo seu regresso.

Lembrança sinistra, vou morrer onde nasci, gritando pela sua saudade.

Coração desabado, vou morrer onde nasci, desejando pelo seu amor.

Solidão vazia, vou morrer onde nasci, voltando pela sua vida.

Voltei para morrer onde nasci.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Escrevo nas feridas

O Silêncio ouve-me, de mãos atadas, sem saber porquê.
Perdido no momento, enquanto o tempo passa, escrevo nas feridas.

Perco-me, tentando competir com todos os outros, em vez de ser comigo mesmo.
Não sei para que caminho virar, apenas para o espelho falso.
A rotina afoga-me, a fraqueza é absorvida.
As vozes tiram-me tudo, deixam-me apenas o arrependimento.

Escrevo, aprendendo a viver meio vivo.

Caio nos seus olhares, nos seus braços, nos seus sentimentos desonestos.
Sei os seus pensamentos, as suas razões, as suas memórias tentadoras.

Escrevo, aprendendo o que é ter coração. 

Deito-me sobre o chão, nu e sem fé.
Gelado e rasgado, deixam-me palavras nas feridas.

Escrevo, aprendendo como é chorar.

A ilusão nunca se tornou realidade.
Tudo o que construí foi feito para ser destruído?
As mentiras são como cicatrizes na nossa alma.

Escrevo nas feridas.