O Silêncio ouve-me, de mãos atadas, sem saber porquê.
Perdido no momento, enquanto o tempo passa, escrevo nas feridas.
Perco-me, tentando competir com todos os outros, em vez de ser comigo mesmo.
Não sei para que caminho virar, apenas para o espelho falso.
A rotina afoga-me, a fraqueza é absorvida.
As vozes tiram-me tudo, deixam-me apenas o arrependimento.
Escrevo, aprendendo a viver meio vivo.
Caio nos seus olhares, nos seus braços, nos seus sentimentos desonestos.
Sei os seus pensamentos, as suas razões, as suas memórias tentadoras.
Escrevo, aprendendo o que é ter coração.
Deito-me sobre o chão, nu e sem fé.
Gelado e rasgado, deixam-me palavras nas feridas.
Escrevo, aprendendo como é chorar.
A ilusão nunca se tornou realidade.
Tudo o que construí foi feito para ser destruído?
As mentiras são como cicatrizes na nossa alma.
Escrevo nas feridas.