segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Corpo (in)curável



O Sol já se pôs e continuo a caminhar, pensativa, pela areia fria a sentir o seu toque inocente, o seu chamamento, como se vivê-se na minha mente, como se puxasse arduamente os meus pensamentos. 
       A cada segundo sinto cada gota do seu veneno a percorrer-me as veias, indesejada, traída, usada...       

Deveria prosseguir? 
Estarei a ser egoísta ou simplesmente a amar-me? 
Como foi ele capaz de me abandonar? Deixar-me assim?
Foi o destino cruel? Talvez uma lição de vida? Ou apenas uma consequência dos meus atos? E se for? Estarei a ser desumana? Uma assassina?



      Vejo-o através dos meus olhos serenos a pedir-me auxílio, profundamente mas... Revivo a traição abusadora vezes e vezes sem conta, poluí-me o corpo intensamente, torna-me num animal selvagem indomável que não desejo ser.


 Deverei dar vida contra a minha vontade?

      Deito-me cuidadosamente sobre a areia, já quente, sinto as ondas calmas a socorrerem o que reside dentro de mim temporariamente. Deixo-as levarem-no? Ou levarem-me?

Decidida, liberto o abandono que envenena a minha mente e caminhá-lo ao meu corpo... ao seu corpo.


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