Perdido no momento, enquanto o tempo passa, escrevo nas feridas.
Perco-me, tentando competir com todos os outros, em vez de ser comigo mesmo.
Não sei para que caminho virar, apenas para o espelho falso.
A rotina afoga-me, a fraqueza é absorvida.
As vozes tiram-me tudo, deixam-me apenas o arrependimento.
Escrevo, aprendendo a viver meio vivo.
Caio nos seus olhares, nos seus braços, nos seus sentimentos desonestos.
Sei os seus pensamentos, as suas razões, as suas memórias tentadoras.
Escrevo, aprendendo o que é ter coração.
Deito-me sobre o chão, nu e sem fé.
Gelado e rasgado, deixam-me palavras nas feridas.
Escrevo, aprendendo como é chorar.
A ilusão nunca se tornou realidade.
Tudo o que construí foi feito para ser destruído?
As mentiras são como cicatrizes na nossa alma.
Escrevo nas feridas.

As feridas são o melhor papel. Escrever nelas é dar-lhes pontos, aplicar pomadas, e deixar cicatrizar. Crescer é um conjunto de cicatrizes. Um mundo de textos com experiências. O que constróis não tem que necessariamente ser destruído. O chão frio não tem que ser o poiso para o teu corpo despido em feridas. E se é isso que o teu chão é, que seja provisório. Prepara e projecta uma nova fase na tua vida. Os projectos ocupam a nossa mente, o nosso corpo acredita, cura-se... e o nosso pensamento projecta uma realidade melhor.
ResponderEliminarBoas
EliminarResume tudo ao que acabaste de dizer: "Crescer é um conjunto de cicatrizes".
Penso que, o que acabaste de transmitir, é como a "cura" para a mensagem do texto.
O chão representa o ponto mais abaixo que alguma vez conseguimos sentir, sem saber como levantar, apenas através de projetos, como disseste, do nosso corpo e, principalmente, da nossa vontade.
Cumprimentos.